INTRO

P: Porquê?

Ideias surgem, não se denunciam a elas mesmas, e, sem avisar foi criado este blog. Gerido por duas pessoas, tentando abordar as áreas de interesse de ambos, música, literatura, filosofia, cinema, artes plásticas. Ocasiões que por alguma razão ou por outra se traçam nas nossas vidas, que temos o prazer de partilhar e registar em formato digital.




P: O que é "Presse Omnia"?

"Presse Omnia" significa "Simplesmente tudo", que é precisamente o que trata o blog. Vários temas.

Espero que sejam boas as leituras. De Pessoas para Pessoas.


Presse Omnia
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quarta-feira, 4 de julho de 2007

[Letras] Esplendor


Esplendor


Odeio a regra que sufoca a excepção,
Assim como os únicos sentidos,
Como aqueles que vivem em vão,
Amordaçados,
Vagueando pelo mundo perdidos.


E todos os limites do excesso,
Nas linhas que os homens inventam,
Dividindo as nações que atravesso,
Num pensamento,
Sem as fronteiras que nos apoquentam.


Nas mentes, da nossa hipocrisia,
Odeio os dirigentes da lucidez,
Que socorrem a noite do dia,
Protegendo
A fome e a miséria da sua avidez.


Posso parecer algo que já não sou,
Sendo muito menos do que quero ser,
Como podem pensar que ainda aqui estou,
Quando afinal, sem nada vos dizer,
Parti sem saber para onde vou.


In, "Punição - Náufrago na enseada do destino"
José Miguel Costa ; Roma Editora, 2007

domingo, 17 de junho de 2007

[Letras] O impulso insondável do Ser

Uma conversa, troca de palavras
palavras a fluírem instantaneamente,
sem pedido , sem aviso
Um pensamento, vários pensamentos.. que se anunciam sem se fazer esperar;
que se tornam sem darmos conta, frequentes na nossa mente

Mente que espera pelo dia,em que as palavras se tornam imagens;
em que as imagens se tornam contacto
Contacto que se transforma em quimíca pura;
que nos faz querer parar no tempo.
Com que o momento do presente não avançe mais

Espanto, surpresa, envolvência profunda naquele momento do presente, que pareceu ficar no passado
Pareceu..
Vontade, vontade de que agora aquele passado próximo se torne presente
Será importante o futuro?

Fulcral, essencial, o Aqui e o Agora
O meu Ser, e o teu Ser
A nossa Alma
Uma Alma

Conversas, Palavras, Pensamentos, Químicas, Envolvências e Sentimentos
O Real
O Aqui e o Agora
O amanhã contigo
O Sempre

quarta-feira, 13 de junho de 2007

[Letras] Wind of Change

I follow the Moskva
Down to Gorky Park
Listening to the wind of change
An August summer night
Soldiers passing by
Listening to the wind of change

The world closing in
Did you ever think
That we could be so close,like brothers
The future's in the air
I can feel it everywhere
Blowing with the wind of change

Chorus:
Take me to the magic of the moment
On a glory night
Where the children of tomorrow dream away
In the wind of change

Walking down the street
Distant memories
Are buried in the past forever

I fallow the Moskva
Down to Gorky Park
Listening to the wind of change

Take me to the magic of the moment
On a glory night
Where the children of tomorrow share their dreams
With you and me

Take me to the magic of the moment
On a glory night
Where the children of tomorrow dream away
In the wind of change

The wind of change blows straight
Into the face of time
Like a stormwind that will ring
The freedom bell for peace of mind
Let your balalaika sing
What my guitar wants to say

Take me to the magic of the moment
On a glory night
Where the children of tomorrow share their dreams
With you and me

Take me to the magic of the moment
On a glory night
Where the children of tomorrow dream away
In the wind of change
------------------------
Porque poderia sonhar, criar e sorrir, podia, poderia.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

[Letras] Branco e Vermelho


Branco e Vermelho

A dor, forte e imprevista,
Ferindo-me, imprevista,
De branca e de imprevista
Foi um deslumbramento,
Que me endoidou a vista,
Fez-me perder a vista,
Fez-me fugir a vista,
Num doce esvaimento.

Como um deserto imenso,
Branco deserto imenso,
Resplandescente e imenso,
Fez-se em redor de mim.
Todo o meu ser suspenso,
Não sinto já, não penso,
Pairo na luz, suspenso...
Que delícia sem fim.. (...)

Camilo Pessanha



2 meses...

Obrigado.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

[Letras] A um poeta

Aqui fica um poema que gosto muito. No qual por sinal estou a fazer uma animação video. Em breve disponível.




A um poeta


Tu, que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno,

Acorda! é tempo! O sol, já alto e pleno,
Afuguentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares,
Um mundo novo espera só um aceno...

Escuta! é a grande voz das multidões!
São teus irmãos, que se erguem! são canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!

Ergue-te pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!

Antero de Quental

sexta-feira, 25 de maio de 2007

[Letras] Amo o teu túmido candor de astro


a tua pura integridade delicada
a tua permanente adolescência de segredo
a tua fragilidade acesa sempre altiva
Por ti eu sou a leve segurança de um peito
que pulsa e canta a sua chama
que se levanta e inclina ao teu hálito de pássaro
ou à chuva das tuas pétalas de prata
Se guardo algum tesouro não o prendo
porque quero oferecer-te a paz de um sonho aberto
que dure e flua nas tuas veias lentas
e seja um perfume ou um beijo um suspiro solar
Ofereço-te esta frágil flor esta pedra de chuva
para que sintas a verde frescura
de um pomar de brancas cortesias
porque é por ti que vivo é por ti que nasço
porque amo o ouro vivo do teu rosto

in "O Teu Rosto"(1994)

António Ramos Rosa


Porque o sinto..

Porque sim.

domingo, 20 de maio de 2007

[Letras] O Poeta "Maldito"


Dois ou três poemas de Mr Charles Baudelaire para abrir o apetite,a quem tiver o prazer de os ler. Outro dos meus eleitos ;)



OBSESSÃO

Grandes bosques, de vós, como das catedrais,
Sinto pavor; uivais como órgãos; e em meu peito,
Câmara ardente onde retumbam velhos ais,
De vossos De profundis ouço o eco perfeito.

Te odeio, oceano! Teus espasmos e tumultos,
Em si minha alma os tem; e este sorriso amargo
Do homem vencido, imerso em lágrimas e insultos,
Também os ouço quando o mar gargalha ao largo.

Me agradarias tanto, ó noite, sem estrelas
Cuja linguagem é por todos tão falada!
O que procuro é a escuridão, o nu, o nada!

Mas eis que as trevas afinal são como telas,
Onde, jorrando de meus olhos aos milhares,
Vejo a e olharem mortas faces familiares.

in "As Flores do Mal" - Charles Baudelaire


A DESTRUIÇÃO

Sem cessar, ao meu lado, o Demónio arde em vão;
Nada em torno de mim como um ar vaporoso;
Eu degluto-o e sinto-o, a queimar-me o pulmão,
Enchendo-o de um desejo eterno e criminoso.

Toma, ao saber o meu amor à fantasia,
A forma da mulher, que eu mais espere e ame,
E tendo sempre um ar de pura hipocrisia,
Acostuma-me a boca a haurir um filtro infame.

Longe do olhar de Deus ele conduz-me assim,
Quebrado de fadiga e numa ânsia sem fim,
Às planícies do tédio, infinitas, desertas,

E atira aos olhos meus, cheios de confusão,
Ascorosos rasgões e feridas abertas,
E os aparelhos a sangrar da Destruição!

in "As Flores do Mal" - Charles Baudelaire


O FIM DA JORNADA

Debaixo de uma luz tão baça,
Vai, corre e dança sem razão,
A vida, gritante e devassa.
Porém, logo que, na amplidão,

A noite voluptuosa sonha
Tudo abrandando, mesmo a fome,
Tudo apagando, até a vergonha,
O poeta em lassidão sem nome

Diz: - “Os meus ossos e a minha alma
Invocam ardentes a calma;
E, de coração tumular,

Agora vou dormir de lado,
Rolar em vosso cortinado,
Ó trevas de refrigerar!”

in "As Litanias de Satã" - Charles Baudelaire

terça-feira, 15 de maio de 2007

[Letras] História Geral do Diabo (da Antiguidade á Época Contemporânea)

Um livro que tenho estado a consultar, e que em breve irá ser a base de um trabalho meu.. Por ser bastante interessante e por abordar um tema que julgo ser verdadeiramente interessante, aqui ficam algumas passagens, para curiosos e não só..


"Ainda dos concílios e de um assassinato de um bispo.Prisciliano suspeito de ter ensinado uma ideia satânica de Satanás - Das perseguições religiosas e sobretudo da Inquisição consideradas como fundos de comércio - Da indignação de S.João Crisóstomo a propósito das condenações á morte na fogueira dos hereges - Dos delírios dos inquisidores e da ameaça do catarismo - Dos inúmero massacres sob a acusação de possessão e de satanismo - Da identificação dos judeus com os vis agentes de Satanás - Da ausência de uma doutrina coerente sobre Satanás e das suas consequências - Das bruxas de Salém - Da abolição da Inquisição por Napoleão e dos esforços infrutíferos dos Bourbons para a restabelecer"

"Satanás tinha asssim saído dos quatro primeiros séculos do cristianismo com um singular estatuto: ele existia efectivamente, mas não se sabia verdadeiramente quem ele era nem porque é que tinha nascido. Em termos filosóficos , poder-se-ia assim concluir que a sua existência tinha precedido a sua essência. Muitas autoridades tinham cada uma a sua ideia acerca disso, mas ele não existia de comum acordo; em suma não havia teoria do Diabo.."

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" As Litanias de Satanás"

Ó tu, o mais sábio e o mais belo dos Anjos,
Deus traído pela sorte e privado de louvores,
Ó Satanás, tem piedade da minha longa miséria!

Ó principe do exílio a quem fizeram mal,
E que vencido, te reergues sempre mais forte,

Pai adoptivo daqueles que na sua negra cólera,
Do paraíso terrestre expulsaram Deus Pai,
Ó Satanás, tem piedade da minha longa miséria!

Charles Baudelaire

in "História Geral Do Diabo - Da antiguidade á época contemporânea" - Gerald Messadié; Publicações Europa-América- Colec.Biblioteca das Ideias, estudos e documentos; 2001

terça-feira, 8 de maio de 2007

[Letras] Fragmentos espontâneos

Saltamos, guiados por um impulso momentâneo, improvisado no segundo anterior, porém completamente lógico no momento. Quando esse segundo passa a uma velocidade avassaladora, tão ou mais lenta que a sua própria pausa. - o tempo pára. Estagna. Desejado secalhar que fosse eterno esse segundo, mas nada é eterno, sem ser a morte.

Morte, morte. Negativa? Positiva? Em que ponto a positividade da morte se toca à negatividade da mesma? Será possível? O que separa o nosso estado de vivos ao estado de mortos, é apenas uma unidade de tempo? Ou será mais que isso? Será a desistência do corpo pela vida? Ou a aceitação por parte do corpo à morte?
Não me importa, disfrutarei a vida no meu glorioso esplendor, saborearei o sabor da mesma, ao escorrer-me pela boca de tanto lutar e suar pelo meu trono.
Neste momento és tu.

Que a eterna lute continue, que enquanto cá estivermos enfrentaremos a vida de frente, travaremos uma guerra a partir do nosso primeiro choro de nascimento não-desejado por nós.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

[Letras] O que é a simplicidade se não for fábula ou ficção?








... E porque há dias assim ...

Fica aqui registado um dos meus poemas preferidos, de um poeta que descobri á bem pouco tempo...



Estou ouvindo sem ouvir o que sempre ouço
o anónimo rumor de tudo ser o que é
tão irrevogável como o silêncio que através dele é só silêncio
Nunca uma palavra ou um gesto poderá alterar esta ausência
do que nunca se manifesta mas que faz surgir os seres e as coisas
Tal é o domínio da existência a que não se pode fugir
e em que morre com a boca apagada por um grito ou um suspiro
O que acontece em cada dia é o fortuito fluir
do que só é necessário em si mas não para nós
Não nós não estamos no mundo mas na distância insuperável
de um ser inacessível e essa distância somos nós
Nunca poderemos conhecer o insondável ser
que não é mais do que tudo o que é mas sem o ser
Em vão procuramos a presença deste ausente
Sabemos que se ele se manifestasse o mundo não seria o mundo
e a sua presença seria um excesso que anularia a nossa liberdade
Não há contrapartida para o desamparo não há consumação
para o que no existir é a crispada urgência
e a morte é sempre extemporânea

in "Génese" - António Ramos Rosa
Roma Editora- 2005

quinta-feira, 3 de maio de 2007

[Letras] Plano de Actividades de História e não só..


Puxando um pouco das minhas pseudo credenciais de aluna da F.C.S.H (UNL), deixo aqui o plano de actividades de Maio (para já) do departamento de História da minha "casa"..plus, um pequeno apontamento sobre um seminário livre que se irá realizar e que pode ser interessante e apelativo aos demais.


Hope u enjoy it!
Para mais informações consultem o link por nós facultado.

Dias 7 (Aud. I), 14 (Sala T14), 21 (Aud. I) e 28 (Aud. I): III Curso Livre de Arqueologia Urbana. Organizado por Rosa Varela Gomes, Catarina Tente e Fernando Real (docentes do Departamento de História), conta ainda com a colaboração do Ministério da Cultura e do Instituto Português de Arqueologia. Sempre entre as 18h e as 19:30h, na FCSH

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Seminário Livre de Tradução


ALEMÃO

Husserl, E., (1910/1911) “Nr. 6. Aus den Vorlesungen “Grund Probleme der Phänomenologie” Wintersemester 1910/1911” (“Nº 6. Das lições Problemas fundamentais da fenomenologia, semestre de Inverno de 1910/1911”). In. Zur Phänomenologie der Intersubjektivität. Texte Aus dem Nachlass. Primeira parte: 1905-1920. Ed. por Iso Kern, Husserliana, vol. XIII, Den Haag, Martinus Nijhoff, 1973.

GREGO

Burnet, J., (1989), “APOLOGIA SOKRATOYS”. (APOLOGIA DE SÓCRATES) In: PLATONIS OPERA, recognovit brevique adnotatione critica instruxit Joannes Burnet, Tomus I, Oxford: Oxford University Press (18ª edição- 1ª edição: 1900).

Nota: O seminário terá lugar às Quintas-Feiras às 18.15, Gab. 414 (Torre B).

quarta-feira, 2 de maio de 2007

[Letras] Litterae



" As terças com Morrie"
Mitch Albom
Editora Sinais de Fogo - 1999



Um livro a ler..

Sobre a vida.. e sobretudo.. sobre a morte..


.."Falamos sobre o Mundo"..
.."Falamos sobre sentir pena de si mesmo"..
.."Falamos sobre emoções"..
.."Falamos sobre a morte"..
.."Dizemos Adeus"..


"Ah se fosse novo outra vez".. Nunca ouves ninguém dizer - "Gostava de ter sessenta e cinco anos"..
"Sabes o que isso reflecte? Vidas insatisfeitas, Vidas incompletas. Vidas que não encontraram sentido nenhum. Porque se encontrares sentido na vida, não desejas voltar para trás. Queres ir para a frente. Queres ver mais, fazer mais. Estás mortinho por chegar aos sessenta e cinco.."

.."E ouve, tens que saber uma coisa..O facto é que vais mesmo acabar por morrer"..